Sunday, October 22, 2006

Vozes de burro…

“Chegar-se a um nível de justiça através do comércio justo é uma das maiores preocupações da Santa Sé” manifestou o cardeal Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé na Assembleia das Nações Unidas.

Para a segurança e desenvolvimento de todos, mas em especial dos pobres, deveriam ser realizados mais esforços para ultrapassar o bloqueio das negociações multilaterais” afirmou.

Segundo o observador permanente “nos últimos anos não se fizeram progressos substanciais nas reformas financeiras e comércio mundial” e acrescentou que a troca é uma das prioridades económicas de muitos países desenvolvidos. “O actual sistema tem um grande impacto nas populações mais vulneráveis, e a reforma é um imperativo moral” exclama, porque “o não assumir seriamente esta questão, pode resultar em incontornáveis estragos para o ambiente e para o aumento do terrorismo e conflitos armados” avisa.

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=38258

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Tuesday, September 5, 2006

Benvindos ao Império das coisas parecidas

Novas Babilónias
Letra: Carlos Tê
Música: Hélder Gonçalves

Neste tempo de sucessos
de quedas e ascensões
para o topo dos topos
para o gelo dos copos
para a vala das gerações
novos Bogarts em velhas gabardines
novas Madonnas em velhas Marilyns
crestam lendas nos magazines
ao ritmo das ilusões

novas Babilónias erguem-se do pó

e lê-se tudo em diagonal
e tudo chega a horas a Portugal
o comboio está agarrado
por fim o tempo está mesmo ao lado
já chegou o Desejado
e o sonho está normalizado
na suave proporção
de um x elevado a um cifrão

novas Babilónias erguem-se do pó

tudo é novo e velho num vaivém de espuma
tudo se refunde no brilho da bruma
e vós combatentes de guerras idas
contentes lambendo as mãos do rei Midas
Joanas, Joões de arcas perdidas
saltadores de fogueiras já ardidas
cinzas de cinzas de cinzas
benvindos ao Império das coisas parecidas

novas Babilónias erguem-se do pó

 

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Wednesday, June 14, 2006

Pequeno-almoço com cereais de milho, leite e café!

            Muito provavelmente as pessoas que produzem o seu pequeno-almoço estão a ser exploradas e oprimidas devido às distorções e injustiças do comércio mundial. Na ementa do seu pequeno-almoço vamos incluir cereais de milho, leite e café!


 

            Uma taça de cereais de milho…

            Os cereais são uma boa forma de começar o dia, são ricos em fibra, energéticos e, ainda por cima fáceis de preparar! No entanto, não é assim para os produtores de milho mexicanos. O mercado mexicano está a ser invadido por quantidades astronómicas de milho norte-americano, destruindo assim o meio de subsistência de milhões de mexicanos.

            O México é um dos principais produtores mundiais de milho. No entanto, segundo dados (de 1994) da Oxfam Internacional, a chegada de milho mais barato dos EUA significa, continuamente, a ruína dos produtores mexicanos. Muitos já abandonaram o cultivo da terra para migrarem para as grandes cidades, onde cada vez há uma maior concentração humana o que degrada as infra-estruturas e tem outras consequências, mais graves, como a subida a pique do desemprego destas zonas do México.

            José Magdaleno, produtor de milho de Chiapas, afirma: “As importações estão a esmagar os pequenos produtores. Em menos de uma década, o milho subsidiado (vindo dos EUA) obrigou à deslocação de famílias inteiras que cultivavam milho com êxito há dezenas de anos”.

            E esta, heim?

 

            Com um pouco de leite…

            Para tornar os cereais mais apetecíveis e saborosos, nada melhor do que um pouco de leite! Até há bem pouco tempo a indústria jamaicana tinha uma boa saúde, certo dia, depois de pressionado pelo Banco Mundial o Governo decidiu abrir o mercado de lacticínios às exportações. Foi uma mudança radical, quantidades enormes de leite em pó, vindos da Europa dos subsídios a preços baixíssimos, invadiram os mercados locais, arruinando os produtores locais.

            Fiona Black, do Dairy Herd Services, alerta hoje: “Pedimos à Europa, por favor, ponham termo a esses subsídios. Estão a destruir os países em desenvolvimento.”

            E esta, heim?

 

            E um café, para acordar…

            Em 1962, para evitar as oscilações do preço do café, os principais países produtores e importadores, com patrocínio da ONU firmaram o primeiro Acordo Internacional do Café. Mais tarde, em 1989, Os EUA não assinaram um novo acordo, sob pretexto de que os países produtores estavam a vender o café através de subterfúgios a baixo preço, aos países de Leste.

            Neste novo contexto, o mercado do café ressentiu-se, originando uma crescente descida dos preços. O que não é dito é que esta oscilação dos preços afecta, e muito, a vida dos produtores, sobretudo os jornaleiros. No caso dos pequenos produtores, o preço do café – única fonte de receita – , decide coisas tão básicas como a ida dos filhos à escola.

            Cem milhões de pessoas no Hemisfério Sul dependem exclusivamente do cultivo e transformação deste bem para a sua sobrevivência. No Uganda, para referir apenas um exemplo, ¾ da população recebe o seu sustento pelo cultivo e venda do café.

            E esta, heim?

           

O açúcar, com os cereais ou com o café…

            Será açúcar de Moçambique? É pouco provável! Moçambique pode gabar-se de possuir a indústria açucareira com os custos de produção mais baixos do mundo. Apesar disso, o país não tem possibilidade de competir no mercado internacional.

            A UE inunda os mercados dos países pobres com toneladas e toneladas de açúcar de beterraba, açúcar produzido graças a elevados subsídios e vendido nos países em desenvolvimento a preços irrisórios.

            Nos últimos anos a UE tem concedido a Moçambique 170 milhões de euros a título de ajudas de emergência e desenvolvimento, incluindo uma verba para ajudar a “melhorar e desenvolver as comunidades agrárias rurais”. Parece um pardoxo, mas é verdade!

            Afinal, não beneficiariam mais, todos os produtores do Hemisfério Sul, se o comércio fosse, para além de livre, justo e solidário para com os países em desenvolvimento?

 Já agora, bom pequeno-almoço!!!!    Texto adaptado de João Fernandes, no âmbito da Iniciativa “PONTES entre o Comércio e o Desenvolvimento Sustentável”, promovida pela OIKOS

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Friday, June 9, 2006

COMÉRCIO JUSTO

 
Comércio Justo o que é?

Uma parceria entre consumidores e produtores num comércio com princípios e com justiça.

O comércio justo…

  • Garante um salário digno aos produtores (operários) protegido das manipulações do mercado;
  • Estabelece relações comerciais duradouras, paga o produto por adiantado e permite a planificação a longo prazo;
  • Rejeita a exploração laboral das crianças;
  • Defende que para igual trabalho, igual remuneração, Homem ou Mulher;
  • Permite que a produção realize uma exploração sustentável dos recursos naturais, de forma a que possam ser utilizadas também por gerações futuras;
  • Promove a criação de associações, micro-empresas e cooperativas que potenciam o desenvolvimento das sociedades rurais;
  • Assegura que os produtores dediquem uma parte dos seus lucros às necessidades básicas das suas comunidades: saúde, educação, formação laboral, etc.

Para saberes mais consulta….

http://www.alternativa.comercio-justo.org

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