Thursday, September 28, 2006

Acto revolucionário!

 

“Numa época de universal engano, dizer a verdade constitui um acto revolucionário” 

George Orwell

Um cidadão de um país que pretende ser um exemplo de liberdade, justiça e igualdade foi detido, não há muito tempo por ostentar esta frase de George Orwell! Segundo a polícia deste país (dito) civilizado este cidadão violou a nova legislação sobre o Crime Grave e Organizado!

Crime grave e organizado é um pacato cidadão ser interceptado pela polícia só porque agora tem de medir os passos que dá para não entrar na zona central da sua cidade natal!

 A todos os que lerem este post, a minha chamada de atenção….

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Wednesday, September 20, 2006

A miséria do capitalismo

 

A acumulação capitalista “ocasiona uma acumulação de miséria correspondente à acumulação de capital. A acumulação da riqueza num pólo é, portanto, ao mesmo tempo, a acumulação de miséria, trabalho, escravidão, ignorância, brutalização e degradação moral num pólo oposto.” (K. Marx, O Capital)

Frente aos discursos políticos e institucionais que anunciam o capitalismo como o único sistema possível e ainda o mais desejável, há uma total incapacidade do sistema de produção capitalista  garantir a sobrevivência (minimamente) digna de TODA A HUMANIDADE.

Enquanto os lucros dos bancos aumentam de ano para ano de forma exponencial… 52% da população mundial sobrevive com menos de 2 dólares por dia (não é só uma percentagem! São 2,73 biliões de pessoas).

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A boa sociedade

A «Boa Sociedade» será o oposto da sociedade desumanizada que temos.

Será aquela que recuperará a dignidade humana dos seus cidadãos, através do combate às injustiças e desigualdades sociais, apoiada na consciência crítica e na acção solidária.

É o referencial (julgado) UTÓPICO de que precisamos para promover a revitalização do Estado Social, da cidadania e do «Espaço Público», combatendo a indiferença, a apatia e a alienação consumista.

http://boasociedade.blogspot.com/ 

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Wednesday, September 13, 2006

Mas quê, meu Jacinto!

“Mas quê, meu Jacinto!

A tua Civilização reclama insaciavelmente regalos e pompas, que só obterá nesta amarga desarmonia social, se o Capital der ao Trabalho, por cada arquejante esforço coma migalha ratinhada. Irremediável é, pois, que incessantemente a plebe sirva, a plebe pene!

 A sua esfalfada miséria é condição do explendor sereno da Cidade. Se nas suas tigelas fumega-se a justa ração de caldo não poderia aparecer nas baixelas de prata a luxuosa porção de foie gras e tubaras que são o orgulho da Civilização. (…) E um povo chora de fome e da fome dos seus pequeninos para que os Jacintos, em Janeiro, debiquem, bocejando, sobre pratos de Saxe, morangos gelados em champanhe e avivados de um fio de éter.”

 

Eça de Queirós, A Cidade e as Serras

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Monday, September 11, 2006

5 anos passaram e tudo piorou

Ao ler o Público, despertou-me a atenção as seguintes questões, que me parecem pertinentes!  

Estamos ou não em guerra?

O Governo americano definiu desde a primeira hora a resposta aos ataques do 11 de Setembro como uma guerra. No sentido clássico do termo, não apenas metafórico. No dia 11 de Setembro de 2001, a América sentiu-se atacada. Como em Pearl Harbour. Está em guerra e age em conformidade. Cinco anos depois, George W. Bush voltou a declarar a guerra contra o terror como “o combate ideológico decisivo do século XXI”. Com um só inimigo: “os jihadistas, sucessores dos fascistas, nazis, comunistas e outros totalitarismos”. Como Osama bin Laden é o sucessor de Hitler e de Lenine. “Na guerra, a narrativa é muito mais do que apenas uma história”, escreve Michael Vlahos, na revista americana The National Interest. “Significa uma estratégia a partir da qual tudo o resto se funda”.

Na Europa, não foi esta a narrativa que emergiu depois do 11 de Setembro. Nem depois do 11 de Março ou do 7 de Julho. “É esta, talvez, a diferença maior entre os EUA depois do 11 de Setembro e a Europa depois do 11 de Março”, escrevia no PÚBLICO Dominique Moisi, professor francês de Relações Internacionais, no dia do 4º aniversário dos atentados contra as Torres Gémeas. Para os europeus, o terrorismo, nas suas múltiplas faces, do IRA à ETA passando pelas Brigadas Vermelhas, não é uma novidade. Foram precisos 50 milhões de mortos para vencer o nazismo. Estão mais inclinados a perguntar, como Estaline sobre o Vaticano, quantas divisões possui a Al-Qaeda. Cinco anos depois, em que novos termos se trava o debate em torno desta “guerra”? Depois do desastre iraquiano, das dificuldades crescentes no Afeganistão, da nova ameaça iraniana, da guerra no Líbano, os analistas de ambos os lados do Atlântico interrogam-se sobre os resultados da guerra declarada por Bush contra o terror.

O Islão e a democracia são compatíveis?

Há uma resposta política a esta questão. No Iraque ou no Afeganistão, no Líbano ou na Palestina, as pessoas votam com o mesmo espírito dos europeus de Leste depois da queda do comunismo. Na Indonésia ou na Turquia, milhões de muçulmanos vivem em democracia. Nos países islâmicos, centenas de políticos, intelectuais, escritores ou clérigos estão nas prisões por defenderem a separação entre a religião e o Estado. Há, depois, o debate filosófico. Se a verdadeira natureza do islão é a submissão inquestionável a Alá e à lei islâmica (sharia), como pode o islamismo ser compatível com a democracia, que assenta na liberdade individual? Não está, pelo menos em parte, na religião, a resposta às dificuldades do mundo islâmico (sobretudo pelos países árabes) para se modernizarem? E a pergunta seguinte, porventura a mais crucial: há apenas uma interpretação do islão ou há várias?

O fim do multiculturalismo?

O que leva jovens muçulmanos britânicos, nascidos e criados no Reino Unido, que andaram na escola e pertencem à classe média, a decidirem fazer-se explodir no metro de Londres para matar o maior número possível de cidadãos do seu país? O que falhou no tão elogiado modelo “multicultural” britânico de integração dos seus imigrantes?

O que falhou nas nossas sociedades para que 80 por cento dos muçulmanos britânicos se declarem primeiro muçulmanos e depois britânicos? Ou o que leva os jovens franceses de origem magrebina a sentirem-se cidadãos de segunda ao ponto de incendiarem os arredores de Paris, Marselha ou Bordéus? Falhou também o modelo de assimilação francês?

A democracia liberal pode ser “autoritária”?

Saber onde colocar os limites às liberdades que as democracias estão dispostas a aceitar para garantir a segurança tem sido um dos principais desafios intelectuais e morais colocados pelo 11 de Setembro. De Gauntánamo ao endurecimento das leis anti-terroristas na maioria dos países europeus. Da tortura aos limites da liberdade de expressão.

O debate é o mesmo. A realidade é diferente na América e na Europa. “Ao chamá-la de guerra (…), o Governo dos Estados Unidos justificou mudanças internas que, antes dos ataques de 11 de Setembro teriam sido inaceitáveis em qualquer país livre”, escrevia recentemente Ralf Darhendorf. “Há o risco de as democracias, no seu afã de se defenderem do terrorismo, derivarem para regimes de natureza autoritária.” Seria, então, como numerosos outros autores têm alertado, a suprema derrota da democracia face ao terrorismo.

A “revolução” americana chegou ao fim?

Cinco anos depois dos atentados de 11 de Setembro, que deram origem à “Doutrina Bush” sobre a “guerra preventiva” e a “mudança de regime”, se necessário pela força, para impor a democracia no Médio Oriente, o debate entre as diversas escolas que procuram influenciar a acção americana no mundo parece estar a mudar. A razão é simples: a percepção do fracasso americano no Iraque. O resultado também: está a ser progressivamente restaurada a autoridade dos defensores da chamada “escola realista” na boa velha tradição kissingeriana.

Deveriamos colocar a seguinte realidade perante os olhos de todos aqueles que se acham donos da verdade!

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Artigo 1:
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 6:
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os lugares da sua personalidade jurídica.

Artigo 12:
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio, ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques, toda a pessoa tem direito à protecção da lei.

Artigo 18:
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião.

Artigo 19:
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão

Artigo 28:
Toda a pessoa tem direito a que reine no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tomar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração.


 

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Tuesday, September 5, 2006

Benvindos ao Império das coisas parecidas

Novas Babilónias
Letra: Carlos Tê
Música: Hélder Gonçalves

Neste tempo de sucessos
de quedas e ascensões
para o topo dos topos
para o gelo dos copos
para a vala das gerações
novos Bogarts em velhas gabardines
novas Madonnas em velhas Marilyns
crestam lendas nos magazines
ao ritmo das ilusões

novas Babilónias erguem-se do pó

e lê-se tudo em diagonal
e tudo chega a horas a Portugal
o comboio está agarrado
por fim o tempo está mesmo ao lado
já chegou o Desejado
e o sonho está normalizado
na suave proporção
de um x elevado a um cifrão

novas Babilónias erguem-se do pó

tudo é novo e velho num vaivém de espuma
tudo se refunde no brilho da bruma
e vós combatentes de guerras idas
contentes lambendo as mãos do rei Midas
Joanas, Joões de arcas perdidas
saltadores de fogueiras já ardidas
cinzas de cinzas de cinzas
benvindos ao Império das coisas parecidas

novas Babilónias erguem-se do pó

 

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Monday, September 4, 2006

O CAPITALISMO E OS RECURSOS NATURAIS

  “O capitalismo, tal como é praticado, é uma lucrativa e insustentável aberração do desenvolvimento humano. O que pode ser chamado de “capitalismo industrial” não o é conforme com os seus próprios princípios de prestação de contas. Ele liquida o seu capital e chama a isso rendimento. Despreza a atribuição de qualquer valor ao maior stock de capitais que emprega – os recursos naturais e os sistemas vivos, bem como os sistemas sociais e culturais, que são a base do capital humano.” Adaptado de Hawken, Lovins e Lovins (1999), Natural Capitalism

 

Alguns seres humanos acham que podem explorar ou extinguir espécies e contaminar o que é de todas e de ninguém a belo prazer dos seus interesses económicos. É, por isso, urgente a reapropriação do planeta de si mesmo, no conjunto de toda a sua diversidade biológica. 

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